quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Fenômenos e epifenômenos

No livro Felicidade Autêntica, resenhado no último mês de maio, Martin Seligman, ao discorrer sobre o papel das emoções negativas em provocar mudanças na vida das pessoas, faz uma interessante observação acerca de fenômenos e epifenômenos.

De acordo com os cientistas, fenômenos têm o poder de provocar eventos, mudanças na cadeia causal dos acontecimentos. Já os epifenômenos são medidores, ou medidas sem eficácia causal. Exemplificando, pisar no acelerador é um fenômeno, porque faz o carro andar mais depressa; já o velocímetro é apenas um epifenômeno, porque apenas mostra a velocidade do carro.

Nos dicionários, os significados são parecidos. Para o Aurélio, epifenômeno é o fenômeno cuja presença ou ausência não altera o fenômeno que se toma principalmente em consideração. Para o Houaiss, epifenômeno é um produto acidental, acessório, de um processo, de um fenômeno essencial, sobre o qual não tem efeitos próprios.

Deixando de lado as implicações filosóficas e psicológicas de tais conceituações, penso que é possível estabelecer algumas analogias sobre essas definições, a fim de verificar se estamos gastando o nosso tempo livre de forma a produzir verdadeira sensação de bem-estar e crescimento pessoal.

O que você faz com o tempo livre que fica à sua disposição? Suponhamos que você tenha duas horas livres à noite. Você tem duas opções: assistir novela ou se dedicar a um hobby, como ler um livro, escrever um blog, cozinhar ou praticar exercícios físicos (supondo que novela não seja um hobby). O que você prefere?

Assistir novela, embora possa ter algum efeito emocional sobre a sua psique, não irá provocar mudanças duradouras em sua vida. Contam-se histórias, boas ou más, felizes ou tristes, mas nenhuma delas afetarão o seu dia-a-dia. São epifenômenos.

Cozinhar, se esse for seu hobby, permite que você desenvolva suas habilidades na arte de preparar comidas. Faz com que você se preocupe em oferecer alimentos mais saudáveis à família, de maior valor nutritivo. Você se preocupa em atender bem aos seus convidados, reforçando laços de amizade. Ler um livro, naquelas mesmas duas horas disponíveis, seja esse livro ficção ou não-ficção, permite que você amplie seu vocabulário. Reforça suas conexões neurais. Você exercita seu cérebro, e, ao exercitá-lo, aumenta as defesas do organismo e contribui para retardar o envelhecimento neurológico associado ao declínio da idade. Estudar uma nova área de conhecimento faz aguçar em você o senso de curiosidade, despertado pela possibilidade de explorar “novas fronteiras”. Aumenta seu grau de concentração. Faz o tempo voar. E promove seu crescimento pessoal, aumentando também sua satisfação pessoal.

Cozinhar, ler ou estudar são, assim, fenômenos, porque provocam mudanças em sua vida.

Como diz David Allen, criador da metodologia GTD, preste atenção naquilo que interfere em sua atenção. Será que você não está ocupando seu tempo livre, ou melhor, sua mente, com coisas que em nada influenciarão sua vida? Um dos males da sociedade moderna, dentro da qual estamos inseridos, é que ela, com toda a sua gama de produtos e serviços para todos os gostos e bolsos, faz com que nós aumentemos a nossa passividade diante da vida, ao mesmo tempo em que nos atrai – e por tabela nos distrai – com produtos e serviços supérfluos. Se não tomarmos consciência de nossas atitudes, a nossa atenção será quase que totalmente controladas por epifenômenos. Agiremos prestando atenção nos velocímetros, quando o que deveríamos fazer é pisar no acelerador.

A questão não é eliminar totalmente fenômenos alheios à nossa vida. Assistir eventos esportivos que passam na TV, ler notícias nos jornais sobre fatos que ocorrem na Oceania, discutir sobre política com amigos, e gastar nosso tempo com filmes de ficção ou jogos eletrônicos não são eventos ruins em si. O que é ruim é o tempo excessivo que dedicamos a eles, em detrimento de atividades que nos poderiam proporcionar muito mais gratificação e crescimento. Esse é o ponto.

Muitas de nossas escolhas não são feitas de maneira consciente, por meio de critérios previamente analisados, mas sim fruto de fatores emocionais provocados por circunstâncias totalmente temporárias e, às vezes, aleatórias. Queremos assistir o jornal da noite porque estamos cansados depois de um dia inteiro do trabalho. Nos concentramos na leitura da revista de fofocas porque queremos saber o que se passa com determinada celebridade. Discutimos com o amigo questões da política porque é isso que todo mundo está comentando.

Qual é a solução?

Ela passa necessariamente por três atitudes. A primeira é a reflexão. Você deve prestar atenção em como gasta seu tempo livre. Se você o utiliza de modo adequado, equilibrando entre atividades simplesmente prazerosas, de entretenimento e de descanso, com outras que lhe permitem desenvolver suas forças e virtudes, ótimo, não há muito o que fazer, pois você já aproveita de modo consciente seu tempo ocioso. Agora, se você ocupa suas horas livres somente com coisas que não lhe dizem respeito, isto é, que não influenciam seu dia-a-dia, ou, o que é pior, com lamentações em relação ao passado e divagações sobre o futuro, é preciso uma mudança de postura. Nesse sentido, orientações como as contidas no livro Aprenda a ser otimista, de Martin Seligman, poderão ajudá-lo a quebrar essas barreiras mentais.

A segunda atitude é planejamento. Consiste em, uma vez identificados os fatores que não contribuem para você ter uma vida equilibrada, realizar a substituição dessas atividades por outras, na medida necessária para restaurar o equilíbrio em seu tempo livre. O grau dessa substituição é estritamente pessoal, e varia conforme a pessoa. Planejar não significa “engessar”, ou “escravizar” seu tempo disponível. Pelo contrário, o planejamento te liberta do vício de hábitos ruins provocados por atitudes muitas vezes inconscientes de vida, permitindo você usufruir de seu tempo livre de forma mais conveniente e harmoniosa.

A terceira atitude é fazer. Colocar em prática as mudanças, implementá-las em sua rotina. Dessa forma, você estará diminuindo os espaços ocupados pelos epifenômenos, ao mesmo tempo em que aumenta a ocorrência de fenômenos em sua vida, e, o que é melhor, fenômenos positivos, controlados e especificamente planejados. Fenômenos que têm o poder tanto de produzir felicidade no presente – usando, por exemplo, fontes de entretenimento, mas sem excesso – como também de construir pontes para a felicidade no futuro, por meio de atividades que exercitem suas forças e virtudes pessoais.

Conquistar o equilíbrio nas horas livres é uma atividade desafiadora, que requer consciência, planejamento e empenho. Mas que vale muito a pena ser alcançada.

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!



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[Tradutor] Categories: Tempo, Valores Reais Tags: Psicologia Positiva
Resenha: A descoberta do fluxo, de Mihaly Csikszentmihalyi
20, junho, 2010 Guilherme 2 comentários
O que um livro de finanças pessoais, outro de literatura brasileira, outro ainda de produtividade pessoal, e mais um de psicologia positiva, têm em comum?

Em Dinheiro pode comprar felicidade, MP Dunleavey escreve (p. 103):

“O que tornou o doutor Csikszentmihalyi tão famoso é o seu trabalho pioneiro sobre o fenômeno denominado ‘fluxo’. Fluxo é o estado de total absorção numa determinada atividade, que, embora possa ser exigente ou até mesmo estressante enquanto você a está realizando, oferece posteriormente um profundo senso de satisfação”.

Luzia de Maria, no maravilhoso Clube do Livro, comenta (p. 143):

“O psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi, com base em um estudo abrangente, que envolveu milhares de pessoas, chegou à conclusão de que, para se alcançar a excelência da vida, uma pessoa deve descobrir o que ele chamou de fluxo e se oferecer a essa experiência, já que ela permite uma vida melhor.

Por sua vez, Jim Loehr e Tony Schwartz, em Envolvimento total, gerenciando energia, e não o tempo, abordam (p. 64):

“Podemos sentir prazer sem qualquer investimento de energia psíquica, mas o deleite só ocorre em consequência de investimentos extraordinários de atenção”, escreve o psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi, autor de Flow. “Em geral, os melhores momentos (de nossa vida) ocorrem quando o corpo ou a mente de uma pessoa são exigidos até o seu limite, num esforço voluntário para realizar algo difícil e de grande valor”.

Martin Seligman, no excepcional Felicidade autêntica, diz (p. l80):

“A extraordinária contribuição de Mike [Mihaly Csikszentmihalyi] para a psicologia é o conceito de flow. Para você, quando é que o tempo para? Quando é que você se encontra fazendo exatamente o que quer, desejando que não acabe nunca? É quando pinta, faz amor, joga voleibol, fala diante de um grupo, escala uma montanha, ou quando ouve com simpatia os problemas alheios?”

Nenhum outro livro conseguiu a façanha de ser citado com tanta frequência em diferentes obras aqui já resenhadas, de distintos ramos do conhecimento, quanto o “Fluxo”, de Mihaly Csikszentmihalyi.

O trabalho de Mihaly Csikszentmihalyi destina-se a descobrir os elementos-chave das atividades que levam o ser humano a encontrar a excelência em sua vida cotidiana. Trata-se de uma obra de inegável valor científico, apoiada em pesquisas realizadas com milhares de pessoas no mundo inteiro, obra essa que foi condensada no inovador trabalho denominado “Fluxo”. Tal obra, apesar de seu caráter técnico, foi escrita de modo bastante acessível ao público leigo.

Vale destacar, ainda, que os conceitos desenvolvidos por Mihaly Csikszentmihalyi ainda aparecem nas obras, também resenhadas aqui, de Carol Dweck e Leo Babauta.

Ou seja, ele é, de longe, o livro mais citado pelos livros já resenhados aqui no blog. Diante de tanta repercussão, o site Valores Reais não poderia se furtar a esse compromisso, que na verdade é uma satisfação, de “beber direto da fonte”. Senhoras e senhores, ei-lo aqui: vamos descobrir, afinal, o que é o fluxo, por Mihaly Csikszentmihalyi.

Informações técnicas



Título: A descoberta do fluxo – a psicologia do envolvimento na vida cotidiana


Autor: Mihaly Csikszentmihalyi

Editora: Rocco


Número de páginas: 168


Preço médio: R$ 25

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Capítulo 1 – As estruturas da vida cotidiana

Para a vida adquirir significado, precisamos prestar atenção ao que ocorre em nossa volta, e buscar ajuda em fontes confiáveis. Mihaly Csikszentmihalyi, que vamos apelidar de Mike, apenas para fins de facilitar a leitura (já que o nome dele é bastante difícil de ler…rs), dá destaque ao papel da ciência como espelho confiável da realidade, em que podemos nos basear no momento presente, de acordo com as informações que ela nos fornece.

A primeira pesquisa apresentada é sobre o uso do nosso tempo, que é dividido em três partes: atividades produtivas (trabalho, estudo etc.), atividades de manutenção (cuidados com a casa, alimentação, cuidados pessoais, transporte), e atividades de lazer (consumo de mídia, hobbies, conversas, repouso). São essas três atividades que absorvem nossa energia psíquica, e sobre as quais mantemos nossa atenção. Mike aproveita para fazer duras críticas à televisão (corrente ao qual me filio), que atualmente ocupa a maior quantidade de energia psíquica de todos os atos de lazer.

Capítulo 2 – O conteúdo da experiência

Nesse capítulo é desenvolvido o conceito-chave do fluxo. Para adquirir controle sobre a vida psíquica, que é o combustível básico do pensamento, a pessoa precisa aprender a se concentrar. Concentrar a atenção é, assim, o fundamento para executar operações mentais com algum tipo de profundidade.

Para uma pessoa passar por experiências de “fluxo”, ela precisa enfrentar desafios, consubstanciados em um conjunto claro de metas, límpidas e compatíveis, que forneçam feedback imediato, ou seja, que deixem claro o seu desempenho. Além disso, as suas habilidades devem estar envolvidas na superação de um desafio que está no limite de sua capacidade de controle. Nessas condições, a atenção se ordena e recebe total investimento, de modo que a pessoa fica completamente concentrada, uma vez que sua energia psíquica está sendo exigida ao máximo. O seguinte trecho resume a essência da tese do autor (p. 39):

“É o envolvimento pleno do fluxo, em vez da felicidade, que gera a excelência na vida. Quando estamos no fluxo, não estamos felizes, porque para experimentar a felicidade precisamos focalizar nossos estados interiores, e isso retiraria nossa atenção da tarefa que estamos realizando. Só depois de completada a tarefa é que temos tempo para olhar para trás e ver o que aconteceu, e então somos inundados com a gratidão pela excelência da experiência – desse modo, retrospectivamente, somos felizes”.

Exemplos de fluxo: o alpinista que enfrenta o desafio de escalar uma montanha, o estudante que está envolvido numa trabalhosa pesquisa acadêmica, o cozinheiro que está diante do preparo de um prato que lhe exige total atenção, o atleta que percorre uma maratona, o vendedor que se encontra diante da missão de realizar uma etapa de vendas, e assim por diante.

E por quê as pessoas relatam ter tão poucas experiências de fluxo, em seu dia-a-dia?

Simples: porque para alcançar tal nível de experiência, é preciso um investimento inicial de energia psíquica, e esse tipo de energia é geralmente o que mais falta às pessoas. Ao invés de chegarem em casa, do trabalho, dispostas a realizarem atividades capazes de gerarem fluxo – como prática de exercícios físicos, estudos, desenvolvimento de novas habilidades culinárias, participação em projetos sociais – elas preferem receber um estímulo já pronto vindo da televisão, ou do jogo, ou ainda de qualquer outra forma de vício, que as façam “relaxar” (bebidas, cigarros etc.). Em outros termos, falta energia às pessoas. Esse ponto será retomado adiante, no capítulo 3, com uma conclusão um tanto quanto interessante…

Capítulo 3 – Como nos sentimos quando fazemos coisas diferentes

São feitos comentários sobre os níveis de felicidade, motivação, concentração e fluxo nas diferentes atividades que ocupam o cotidiano de uma pessoa: atividades produtivas, de manutenção e de lazer, com foco principalmente nesse último.

É que há dois tipos de lazer: o ativo (hobbies, esporte, socialização) e o passivo (consumo de mídia, principalmente TV), sendo que o lazer passivo produz pouco fluxo, ao contrário do lazer ativo. O paradoxo, descoberto nas pesquisas, é que as pessoas gastam mais tempo com o lazer passivo do que com o ativo. Assim, o primeiro passo para tornar a vida mais enriquecedora é ordenar as atividades de modo que elas produzam as experiências mais positivas.

Um dado importante é prestar atenção ao que realizamos todo dia e notar como nos sentimos diante de diferentes atividades, lugares e com diferentes companhias, priorizando aquelas que nos proporcionam maiores retornos em termos de satisfação. O vital é descobrir o que funciona melhor no nosso caso.

Capítulo 4 – O paradoxo do trabalho

As pesquisas concluíram que as pessoas, enquanto trabalham, prefeririam fazer outra coisa. Todavia, é no trabalho, e não no lazer, que são encontradas as maiores fontes de fluxo. Isso ocorre porque é no trabalho que geralmente se encontram todos os elementos do fluxo: são atividades que apresentam metas factíveis, exigem o investimento ordenado de energia psíquica e concentração, fornecem feedback imediato, e cujas tarefas exigem habilidades que estão no limiar de nosso controle.

Mais um vez, enfatiza-se que as experiências de fluxo são menos ditadas por condições externas, e mais influenciadas pelo modo com que o indivíduo trabalha.

Capítulo 5 – Os riscos e as oportunidades do lazer

As descobertas das pesquisas conduzidas por Mike são surpreendentes: o indivíduo médio não está preparado para o ócio. As pessoas em geral não sabem aproveitar o tempo livre. Ou melhor, isso não é tão surpreendente assim. Seja sincero: você se prepara para o seu fim de semana? Você planeja o que fazer no domingo (à exceção de ler nossas resenhas dominicais…aham)? Você se prepara para ocupar suas férias? Quando você está lá pelo meio, ou mais para o fim de suas férias, já não vê a hora de voltar para o trabalho?

Se você não tiver metas claras sobre a ocupação de seu tempo de livre, naturalmente perderá a concentração. Perdendo a concentração, você perde também a motivação. Ficando desmotivado, começam a surgir sinais de ansiedade em você, divagando em problemas insolúveis. Para velar esses problemas, mesmo sem estar consciente disso, você procura estímulos externos para ocupar sua mente e aniquilar a ansiedade. É aqui que entram a televisão, o envolvimento em sexualidade promíscua, bebidas, cigarros e toda sorte de drogas. Todas essas atividades não produzem alegria duradoura, mas pelo menos evitam o descontrole. Aparentemente, muitos consideram válida essa barganha.

O segredo para um lazer mais significativo é redimensioná-lo, de forma a ocupar as horas livres com mais atividades de lazer ativo, como hobbies, esportes, socialização, pois são essas as atividades que mais tendem a produzir fluxo. O problema é que nossa sociedade está produzindo uma geração de pessoas viciadas em entretenimento passivo, consumida em atividades que as mantém na inércia, como assistir televisão, por exemplo.

Martin Seligman explica, no livro Felicidade Autêntica, com absoluta clareza, esse drama da sociedade atual: buscam-se “atalhos” para a felicidade, em coisas que levam somente a prazeres (televisão, jogos eletrônicos, bebidas), em detrimento das gratificações, que são as emoções positivas justamente ligadas ao desenvolvimento de nossas forças e virtudes.

Capítulo 6 – Relacionamentos e qualidade de vida

Nesse capítulo, Mike discorre sobre como os relacionamentos – com a família, com os amigos, com a comunidade local – podem produzir experiências de fluxo, e, assim, elevar os níveis de qualidade de vida das pessoas.

Capítulo 7 – Como mudar os padrões de vida

Para ter uma vida mais enriquecedora, é preciso investir energia psíquica em atividades com maior probabilidade de produzir fluxo. A partir dessa mensagem central, Mike formula orientações sobre como melhorar a experiência no trabalho, nas relações familiares e com os amigos.

Um dado curioso, captado desse capítulo, é a intersecção constatada com as ideias concebidas por David Allen, que, dentro da metodologia GTD, destaca a importância de gerenciamento de listas. Mike também dá ênfase a esse aspecto particular da rotina de trabalho, esclarecendo que as listas são essenciais para criar ordem no trabalho, e, assim, concentrar a atenção nas atividades que requerem foco e, ao mesmo tempo, controlar o estresse.

Outro dado interessante é a intersecção com as ideias de Stephen Kanitz, que, no livro Família acima de tudo, realça o papel ativo que os pais devem ter na criação dos filhos. Ora, esse é um dos pontos centrais defendidos por Mike, que sustenta que o investimento contínuo de energia não é necessário só no ambiente profissional, mas também a construção de relacionamentos familiares. O problema é que muita gente acha que esses relacionamentos seriam “naturais”, e exigiriam, portanto, pouco esforço mental.

Capítulo 8 – A personalidade autotélica

Esse é o meu capítulo predileto, um dos melhores capítulos que já li em toda minha vida, particularmente o trecho que vai da página 119 até a 127. Indivíduos com personalidade autotélica são aqueles que fazem as coisas por si mesmas, tendo a experiência como meta principal, em vez de serem motivados por recompensas externas. Pessoas autotélicas não dependem de metas externas para se satisfazerem, uma vez que encontram gratificação nas tarefas por si mesmas.

O “ser autotélico” está relacionado sobretudo ao que a pessoa faz com seu tempo, em particular com seu tempo livre. O exercício de habilidades só é possível em atividades que tendem a produzir fluxo, como o trabalho intelectual e o lazer ativo, ao invés do entretenimento e lazer passivos.

Para ter uma personalidade autotélica, é preciso investir energia psíquica no que ocorre ao seu redor, e se dedicar a atividades por elas mesmas, sem esperar uma resposta imediata. Preocupando-se menos consigo mesmas, elas possuem mais energia psíquica para experimentar a vida. É muito importante controlar nossa atenção, e dirigi-las para atividades que explorem nossas habilidades, nossas forças e virtudes. O mundo está cheio de coisas interessantes para fazer, e não há desculpas para ficar entendiado.

Ao invés de nos preocuparmos tão somente com o futuro, deveríamos é investir nossa vontade e nosso tempo em atividades que nos façam apreciar a vida aqui e agora.

Capítulo 9 – O amor ao destino

As pessoas com personalidade autotélicas produzem atividades de fluxo que não beneficiam apenas elas, mas sim a todas as outras pessoas. Ou seja, elas contribuem para a melhora do mundo. Não é possível que uma pessoa leve uma vida excelente se ela não se sentir pertencente a algo maior que ela mesma.

O desafio, portanto, é usar essa fonte de energia psíquica que concentra a atenção e motiva a ação, ou seja, o fluxo, para finalidades construtivas, que direcionem e contribuem para a melhora da sociedade como um todo. Isso porque as consequências do que fazemos não atingem somente a nós: elas têm impacto sobre o restante do universo. Cada pessoa é única, e participa de um contexto (físico, social, cultural) que ninguém mais compartilha.

Saber canalizar nossa energia psíquica para a produção do bem é um dos desafios que pertence a todos e a cada um de nós.

Conclusão

Sem dúvida, “A descoberta do fluxo” é um dos melhores livros que já li. E não só isso: é um dos que tive a melhor satisfação em resenhar. Não só porque é a fonte para a construção de ideias defendidas em vários outros livros por aqui também já resenhados, como também pela ideias originais ali contidas.

A leitura do livro proporcionou uma séria de novas perspectivas a respeito de temas “clássicos” que envolvem a sociedade atual, temas esses que não se limitam a aspectos práticos das atividades do dia-a-dia, mas que sugerem também reflexões mais amplas a respeito do papel que cada um de nós desempenha dentro do quadro geral da humanidade.

Voltarei a debater, no futuro, com os leitores, diversos tópicos suscitados pela leitura do livro.

O melhor é que o fluxo descreve um tipo de experiência que está ao alcance de qualquer um. Um dos grandes méritos de Mike é possibilitar ao leitor a oportunidade de refletir sobre suas próprias atividades cotidianas, e moldá-las de forma a tornar sua vida mais enriquecedora, não só no aspecto individual, mas também no contexto mais amplo de sua inserção na sociedade em que vive.

Enfim, um livro que tem tudo a ver com Valores Reais. Aliás, devo dizer que a elaboração dessa resenha provocou uma experiência de fluxo em seu autor. Espero que a leitura dessa resenha também tenha produzido o mesmo efeito em você, leitor.

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!



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[Tradutor] Categories: Livros Tags: Psicologia Positiva, Resenhas
Resenha: Felicidade autêntica, de Martin Seligman
23, maio, 2010 Guilherme 2 comentários
Como eu disse anteriormente, nas diversas leituras que tenho feito, algumas citações passam a ocorrer de forma frequente. O mais curioso é que, como tenho lido livros de diferentes áreas do conhecimento, indo de investimentos no mercado de ações até produtividade pessoal, e passando pela psicologia cognitiva e literatura brasileira, alguns escritores têm sido objeto de citação em todas essas diferentes áreas do conhecimento humano, o que me instiga a procurar a leitura deles.

Um desses autores, que costuma ser citado em obras de diferentes áreas do saber humano, é Martin Seligman, e um dos livros que é citado com frequência nessas diferentes obras é Aprenda a ser otimista, resenhado recentemente. Bem, usando os mecanismos de comparação de preços disponíveis na Web, e aproveitando as promoções de um cartão de crédito, fui à caça desse exemplar, o qual, felizmente, estava disponível na livraria. Ocorre que eu precisava comprar uma quantidade mínima em reais para ter direito ao desconto e ao frete grátis.

Então fiquei matutando em torno de obras mais baratas – até R$ 10 – que completasse o valor mínimo da compra elegível para os benefícios. Fiz uma pesquisa na referida livraria, anotando os possíveis títulos que poderiam compor a cesta de compras daquele dia. Eis que, movido por um lampejo de curiosidade, resolvo investigar: será que o Seligman não tem algum outro livro disponível para venda? E eis que me deparo com esse livro objeto de resenha no dia de hoje, no formato de bolso, mas com conteúdo integral, e com um preço bastante atraente. Fecho a compra com esse título e, não por acaso, devido ao instigante título, e já sabendo da qualidade do autor – ph.D. em psicologia nos Estados Unidos, e referenciado por livros sérios e competentes de diferentes áreas do saber humano – resolvo ler o que vem a estar por trás da capa.

O curioso é que a gente acaba se perguntando, à medida que avança na leitura: “por quê descobri esse livro somente agora?” Afinal, ele foi lançado no Brasil em 2004, e inclusive o autor foi o entrevistado nas páginas amarelas da revista Veja no mês de março daquele remoto ano – há inclusive a versão integral disponível para leitura na página virtual da revista. O que me leva à conclusão de que, mais importante do que acumular dinheiro, é acumular saber, já que o conhecimento está aí, disponível para todos. O livro “A arte de fazer acontecer” foi publicado em 2001, e só descobri o método GTD nesse ano. O livro “O milionário mora ao lado” foi publicado mais remotamente ainda, em 1999, e eu tive a graça de consegui-lo via sebo virtual…em 2010!.

Aliás, devo dizer que essa é outra coisa da qual me orgulho aqui no Valores Reais: a resenha de livros que não se restringem a lançamentos. Se o livro lido é merecedor de resenha aqui no blog, escrevo-a não importa a data de sua publicação, até porque boa parte desses tesouros descobertos foram lançados vários anos atrás. Inclusive, fiz a encomenda de outro livro publicado em outra data remota, conforme verão em um dos próximos domingos…

Martin Seligman é um dos fundadores de um novo ramo da Psicologia, chamada de Psicologia Positiva. Ao invés de centrar seus estudos nos transtornos mentais, Seligman elege como alvo de prioridade o estudo das emoções positivas, isto é, dos fatores que levam as pessoas a ter mais felicidade. A Psicologia Positiva está assentada sobre três pilares: estudo das emoções positivas, estudo dos traços positivos, principalmente as forças e virtudes, e, finalmente, o estudo das instituições positivas – democracia, liberdade, família – que dão amparo às virtudes, as quais, por sua vez, sustentam as emoções positivas. Vamos ver do que trata então o livro Felicidade autêntica?

Informações técnicas



Título: Felicidade autêntica – usando a psicologia positiva para a realização permanente


Autor: Martin Seligman


Número de páginas: 459


Editora: Objetiva-Ponto de Leitura

Faixa de preço: R$ 12 a R$ 18 – edição de bolso, e R$ 38 a R$ 49 – edição normal

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Parte I: Emoção positiva.

O cerne da primeira parte da obra é mostrar que a felicidade pode aumentar e se estender. Trata, pois, do entendimento e da intensificação das emoções positivas, procurando derrubar o “dogma imprestável” de que não existiria felicidade autêntica. A fórmula da felicidade seria constituída pela seguinte equação:

H = S + C + V

Onde:

H (happiness) = nível constante de felicidade

S (set range) = limites preestabelecidos

C (circunstances) = circunstâncias da vida

V (voluntary) = fatores que obedecem ao seu controle voluntário

As variáveis “S” tendem a impedir que o nível de felicidade aumente. Elas são constituídas por fatores genéticos, rotina hedonista e limites preestabelecidos.

O estudo das circunstâncias abrange o dinheiro (que não teria grande influência para o aumento do nível constante de felicidade), casamento (esse sim, com forte influência para tornar as pessoas felizes), vida social, emoções negativas, saúde, educação, religião, dentre outras circunstâncias.

A emoção positiva se apresenta em três diferentes níveis: passado, presente e futuro, sendo possível cultivar cada um de modo separado.

As emoções positivas em relação ao passado abrangem a elevação dos níveis de satisfação, contentamento, orgulho e serenidade. Nesse ponto, Seligman é um crítico severo da teoria que sustenta que eventos negativos na infância levem sempre a problemas na idade adulta. De acordo com o autor, a importância que se dá aos fatos passados é exagerada, ou seja, o passado, em geral, é superestimado. Aliás, é a pouca valorização dos acontecimentos positivos do passado, bem com a ênfase excessiva aos negativos, que são as responsáveis pelo enfraquecimento da satisfação, contentamento e serenidade.

Para amplificar as emoções positivas em relação ao passado, propõe-se uma série de exercícios, como a expressão da gratidão, do perdão, do esquecimento. Eis um bom trecho para se guardar na memória (p. 125):

“O que você sente em relação ao passado – satisfação ou orgulho versus amargura ou vergonha – depende inteiramente das suas lembranças. Não existe outra fonte. A razão pela qual a gratidão contribui para aumentar a satisfação com a vida é que ela amplia as boas lembranças do passado – a intensidade, a frequência e a graça”.

As emoções positivas em relação ao futuro compreendem a esperança, o otimismo, a fé e a confiança. Nesse capítulo, são mostrados exercícios de como fazer com que o leitor aumente o grau de emoções positivas em relação ao futuro, bem como são apresentados exemplos práticos que ilustram tais possibilidades.

Por fim, uma das melhores partes do livro: como aumentar a felicidade no presente, ancorada em sólidas evidências e bases científicas, e resultantes de milhares de pesquisas. As emoções positivas em relação ao presente abrangem os prazeres e as gratificações. Os prazeres se definem por serem momentâneos, fugazes, e pela emoção que provocam. Exemplo: comer chocolate, assistir televisão. Eles podem ser intensificados pela anulação do efeito negativo da habituação (isto é, aumentando o intervalo temporal entre eles, por exemplo, tomar refrigerante só no final de semana), pela apreciação (“curtir o momento”), e pela atenção (“concentrar-se na experiência”).

As gratificações, que talvez constituam uma das pedras angulares da Psicologia Positiva, estão ancoradas não nas emoções, mas sim nas forças e virtudes pessoais. Isto é, no “flow”, que ocorre quando nos dedicamos e nos concentramos em uma atividade de tal modo que o tempo parece parar. Caracterizam-se, portanto, pela plenitude, pelo engajamento, pela absorção. Não existe, na gratificação, emoção positiva ou consciência, mas sim o exercício de forças e virtudes pessoais. Participar de um projeto social voluntário não requer emoção nem consciência, mas produz extrema gratificação para quem assume esse desafio. A teoria do fluxo, ou “flow”, foi criada por Mihaly Csíkszentmihály, um respeitado cientista social que forneceu uma das bases estruturais para a criação da ciência da Psicologia Positiva.

É aqui que encontramos resposta para uma indagação que na verdade é uma contradição: se os indicadores atuais de bem-estar objetivo – tais como grau de instrução, poder de compra, alimentação – vêm subindo e estão maiores do que há 50 anos atrás, por quê os indicadores de bem-estar subjetivo vêm caindo – representado, por exemplo, pelo aumento dos casos de depressão? Se as condições materiais de vida vêm melhorando, por quê as pessoas não estão mais felizes?

Porque a nossa sociedade prioriza os prazeres em detrimento das gratificações. Buscam-se atalhos para a felicidade: televisão, compras, drogas, junk food… e esses atalhos não geram mudanças nem desenvolvem as virtudes nem as forças pessoais. Como diz o autor (p. 186):

“O que me aconteceria se a vida fosse toda feita de prazeres fáceis, nunca exigindo o uso de minhas forças nem apresentando desafios? Uma vida assim predispõe à depressão. As forças e virtudes podem murchar durante uma vida de facilidades, oposta a uma vida plena pela busca da gratificação”.

Parte II – Força e virtude

Essa parte é dedicada ao estudo das forças e virtudes. Inicialmente, os autores fazem uma catalogação das seis virtudes que estão presentes em praticamente todas as culturas e tradições existentes ou que existiram, ou seja, estudaram diversas religiões e tradições filosóficas – Velho Testamento, Confúcio, Buda, Alcorão, Benjamin Franklin, tribos indígenas da América do Norte etc. – encontrando seis virtudes comuns a todas elas: saber e conhecimento, coragem, amor e humanidade, justiça, moderação e espiritualidade e transcendência.

Além das seis virtudes, a Psicologia Positiva catalogou 24 forças que podem ser desenvolvidas por praticamente qualquer ser humano, cada uma relacionada a uma virtude específica. Por exemplo, dentro da virtude do “saber e conhecimento”, foram localizadas seis forças pessoais: curiosidade, gosto pela aprendizagem, critério, habilidade, inteligência social e perspectiva. Dentro da virtude da moderação, estão autocontrole, prudência e humildade, e assim por diante. Toda pessoa possui inclinação a desenvolver certo tipo de força ou virtude específica, e o autor apresenta uma série de exercícios que visam fazer com que o leitor encontre as que lhe são mais poderosas e as que mais poderiam ser desenvolvidas e aprimoradas.

Parte III – Nas moradas da vida

Essa terceira parte trata da aplicação prática de como ampliar as emoções positivas, desenvolvendo as forças e as virtudes, a fim de produzirem gratificação, e, portanto, felicidade autêntica, em diferentes segmentos da vida, tais como trabalho – como desenvolver as suas forças pessoais nas rotinas profissionais, e, assim, recriá-las, tornando-se uma vocação – no amor, mais especificamente no casamento, afirmando-se que esse é tanto melhor quanto mais se torna um veículo para uso diário de nossas forças pessoais – e na criação de filhos, com orientações práticas de como desenvolver emoções positivas, principalmente em crianças pequenas.

Nesse último capítulo – criação de filhos – o autor se vale de sua própria experiência pessoal na criação de seus quatro filhos pequenos, e conta as oito técnicas para criar emoção positiva, apresentando seus prós e contras: dormir com o bebê, uso de jogos sincrônicos, tesouros da hora de dormir etc. Para pais marinheiros de primeira viagem, só esse capítulo já valeria o investimento.

O último capítulo do livro destina-se a investigar o significado e propósito da vida. De acordo com Seligman, tendo em vista que a humanidade parece caminhar em um processo de maior complexidade e em mais situações em que todos saem ganhando, o nosso objetivo, como indivíduos, é escolher ser uma parte do avanço nesse sentido, nos unindo a algo maior.

Todas as partes do livro – Partes I, II e III – estão repletos de exercícios e questionários visando a que os leitores coloquem em prática os ensinamentos ali repassados, promovendo um grau de interatividade entre autor e leitor bastante interessante, útil e oportuno.

O autor distingue quatro tipos de vida: a agradável, a boa, a significativa e a plena. A vida agradável é a que busca os sentimentos positivos, bem como o desenvolvimento de habilidades para aumentar essas emoções. A vida boa vai além, e visa utilizar as forças pessoas para produção de gratificação abundante. A vida significativa constitui igualmente um passo a mais, e define-se pela busca de alguma coisa maior que nós mesmos. E a vida plena, por sua vez, é viver todas essas três vidas, de forma integrada e harmoniosa.

Conclusão

Como já vem se tornando praxe nas resenhas que fazemos todos os domingos, esse é mais outro livro que merece a qualificação de excelente. É um livro de psicologia voltada não para profissionais da psicologia, mas para leigos. E o que mais me impressionou foi a metodologia científica com a qual foram elaborados os argumentos que levaram à fundação dessa nova área da Psicologia – a Psicologia Positiva – inclusive, o última parte da obra revela as origens e os bastidores da criação dessa nova área.

Dentre tantas novidades que estão contidas na obra, uma das mais úteis e interessantes, sem dúvida, é a distinção que se estabelece entre prazeres e gratificações, como requisitos para manutenção e abastecimento dos reservatórios de felicidade no momento presente. O autor não descarta a importância dos prazeres como componentes da felicidade, mas lhes redimensiona a função, dando dicas úteis de como amplificá-los, bem como reforça o papel vital que as gratificações desempenham na construção de uma felicidade autêntica baseada no desenvolvimento de nossas forças e virtudes.

Não é um livro que fica só na teoria, pois dá exemplos práticos de como fatos que poderiam passar despercebidos – como o sorriso em fotografias antigas – pode revelar muito se a pessoa teve uma vida de felicidade autêntica ou não. São muito engraçadas as situações que o autor narra ter vivido com seus filhos pequenos, já que essas mesmas situações despertaram nele o momento “eureca” para diversas teorias que procurava explicitar.

Esse foi outro livro recheado de sublinhados e asteriscos, cujas ideias – muitas profundas, brilhantes e incrivelmente simples – merecem ser revistas e discutidas em outros artigos aqui no blog.

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!




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[Tradutor] Categories: Amigos, Família, Livros, Saúde, Tempo, Valores Reais Tags: Felicidade, Psicologia Positiva, Resenha RSSGoogle Youdao Xian Guo Zhua Xia My Yahoo! newsgator Bloglines iNezha Feed por Email
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